É preciso olhar com sensibilidade para os sentimentos, desejos, medos e inseguranças de nossas crianças. Elas carecem de cuidado neste momento tão doloroso e difícil. A pandemia nos capturou, veio como um novo paradigma e rompeu com muitos padrões, inclusive, com a rotina das crianças. De fato, mudou por completo todas as áreas da vida das crianças. Portanto, se faz necessário a palavra e a escuta. Ao perguntar as crianças acerca dos aspectos que envolvem a pandemia, produz- se uma escuta qualificada. Proporciona a oportunidade de fala de cada uma de nossas crianças, considerando a subjetividade das mesmas.
É papel dos pais e dos educadores promoverem espaços onde as crianças possam se expressar de forma lúdica, na linguagem própria da infância. Certamente, o desenho é um meio de expressão riquíssimo, que se revela por meio do grafismo e dos traços de cada sujeito em foco. Permitir que a criança desenhe o que pensa e sente, e em seguida, faça o relato oral do que desenhou, caminha em direção a escuta qualificada, dita anteriormente. Segundo o educador Rubem Alves, há uma diferença entre simplesmente ouvir o outro e escutar o outro. Escutar é atender a alma, é apoiar, é conectar. Uma escuta ouvinte pode ser uma habilidade essencial no enfrentamento da pandemia. É uma maneira de nos achegarmos ao mundo infantil e poder atendê-los conforme suas necessidades.
A valorização e importância do desenho infantil são inegáveis. "O desenho infantil tem, não pelos seus resultados, mas por seu processo constitutivo, papel fundamental na compreensão e na análise crítica da sociedade por parte da criança". (Leite, 2005, p. 140). O desenho é um rico e adequado recurso metodológico, pois, conforme Leite (2005), a criança reproduz os seus sentimentos, o que faz nos seus espaços sociais com o outro e com ela mesma, o que sente ou o que sabe que existe, mesmo que não seja visível aos seus olhos ou aos olhos dos adultos. Mas, para o pesquisador, pode ser uma valiosa forma de compreensão da realidade do mundo da criança, pois o seu mundo é aquilo que ela pode dizer, relatar, é uma totalidade dos espaços, objetos e sentidos.
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