Meu nome é Giulia, sou professora de ballet há quase seis anos, leciono para crianças de 2 até 7 anos. Venho através desse, expressar uma comparação notável entre o comportamento das crianças antes e durante a pandemia.
Em primeiro lugar, nota-se que as crianças que não tinham nenhum contato com outras, e ainda não foram para a escola, apresentam um comportamento de êxtase e ansiedade, não conseguem concluir os exercícios, querem brincar com todos os brinquedos, ler todos os livros, dançar todas as danças, ao mesmo tempo. Devo enfatizar que o ballet é um esporte que requer maior concentração e tranquilidade para desenvolver a musicalidade e atenção, mas a diferença de comportamento é notável. Nem sempre essa ansiedade vem expressada como sinônimo de deslumbramento devido as aulas de dança, e sim como um medo. Pela primeira vez em seis anos, vi crianças pequenas com medo de realizar atividades lúdicas, medo de sair de perto dos pais, medos relacionados a sonoridade (seja pela música alta ou com brinquedos sonoros) e a pequenos desafios voltados para a idade dessas. Segundo a pedagogia Behaviorista, ao ensinar, o ideal é começar pelo mais básico, de modo que a criança não erre (para não gerar um reforço negativo), e gradativamente ir aumentando os estímulos. Como professora, e estudante de pedagogia, busco aplicar essa teoria na prática docente, entretanto, é perceptível um temor maior ao lidarem com um estímulo que não estão acostumadas. Em relação ao Covid-19, é possível notar que algumas não expressam temor, já outras, preocupam-se sempre aos cuidados como a máscara e o uso do álcool em gel. É imprescindível tais cuidados e atenções durante esse momento tão atípico, mas o que quero chamar-lhes a atenção é para a atmosfera do medo em que as crianças vivem durante todo esse período, e de como as informações a respeito da pandemia vão reverberar dentro delas.
Pela primeira vez, também estive em situações nas quais observei oscilações de humor intensas, em um momento minha aluna, que fazia aula particular, estava extasiada de felicidade, em outro, estava com fadiga e desânimo, isso também foi um grande desafio para mim como professora. Em uma publicação feita pela Folha de São Paulo, em 19 de agosto de 2020, quase nove em cada dez pediatras dizem que as crianças apresentaram alterações de comportamento durante a pandemia de Covid-19. Oscilação de humor, ansiedade, irritabilidade, depressão, agitação, insônia, tristeza, agressividade, aumento de apetite, dentre outros. Dessa forma, mais do que nunca, nós que estudamos e pesquisamos sobre a educação, devemos nos atualizar, compartilhar informações e experiências a fim de reverter essa situação de isolamento e medo que os infantes e todos nós vivemos.
Referências:
Pediatras alertam para mudanças de comportamento infantil na pandemia - 19/08/2020 - Equilíbrio e Saúde - Folha (uol.com.br)
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